Algum dia desses tantos que se passaram, desde que vim morar nesta cidade, não foram tão interessantes quanto essa última semana. Em um aspecto um tanto diferente dos que costumam deixar as pessoas assim, felizes, intrigadas. Então, sem mais rodeios, vou contar o caso.
Estava eu, cansada de mais um dia cheio no México (quem sabe sabe), com a cabeça bem cheia de coisas como quantos mols tem em 42 gramas de hidrogênio, já que sábado eu teria uma avaliação de química, a mesma química que me deixa louca - no pior sentido da expressão.
Atravessei a avenida, quase fui atropelada por uma gurizinho de, no máximo, 16 anos, num carro rebaixado e com um funk estrindentemente alto - mas isso nem é tão relevante. Seguindo a ordem cronológica dos fatos, cheguei na porta da minha casa. Tudo escuro. Toquei o interfone, atenderam. "É a Thaís", eu disse. Abriram. Quando coloquei a mão no portão cinza, um tanto gelado, deparei-me com um monstro.
Era uma gigantesca esperança. Aquele inseto dos milhares de zilhões que existem nesse país, nesse planeta, nessa galáxia, e em outras. Nunca fui fã de insetos, costumo esmagá-los antes de pensar nos benefícios que trazem para a humanidade. Fazem um barulho irritante. Então, fiquei parada olhando para "aquilo" tão verde e menor que as esperanças normais. Deduzi que era um bebê-esperança. Dane-se, eles não fazem zoadas agonizantes enquanto morrem, não faria diferença pra minha consciência se eu matasse mais um inseto.
Dessa vez foi diferente. Eu estava com a mão na alça de abrir o portão, o bichinho subiu na minha mão. Comecei a pensar no porquê do nome daquele "trequinho" verde ser esperança. Não achei um bom motivo. Pensei na esperança dos homens - que deram nome ao bicho -, o que acontecera com ela?
Todos os dias quando vou à escola, à pé, passo por um ponto de ônibus. Isso às seis da manhã, em torno disso, e vejo umas pessoas descendo, apressadas. Umas sorriem, tremem de frio. Há também os que fumam, os que seguram a bolsa com força e os que ainda não acordaram - porque não conseguiram ou por opção. Essas pessoas têm alguma esperança na vida? Elas vêm alguma espectativa no dia-a-dia monótono delas? Sempre indo e voltando do trabalho, esgotando suas forças pra sustentar filhos que tiveram mesmo sem querer.
Pensei nos jovenzinhos em suas festas de som automotivo, todos bêbados de pensamentos inúteis, futilidades do mundo em que vivemos. Nas garotas esperando um príncipe, nos garotos esperando a próxima. Esperar é ter esperança? A esperança que jaz no coração dos conformados. A mesma que ferve no coração dos amantes. A esperança de encontrar alguém, de ser feliz, casar e ter trinta filhos. Isso pra depois acordar cinco da manhã, pegar um ônibus e trabalhar pra sustentar uma família que um dia foi tão esperada e que hoje só traz desânimo.
Em quê temos tido esperança? É justo tê-la quando nem valorizamos nossa própria vida? Mesmo se você, que está lendo esse texto, tiver a opnião totalmente contrária à minha, pense um pouco nisso. Pelo menos tente fazê-lo sem que seja necessário um mísero inseto para que você possa sucumbir aos delírios dos seus pensamentos que você deixa guardado desde o dia que descobriu o Orkut e a Globo - eles pensam por você.
A verdade é que eu não tenho esperança, não alimento espectativas, não acredito em Deus, em Destino. Fé pra mim é algo sem base, só creio no que posso ver, tocar, ouvir ou comer. Não tenho pena dos que morreram com o terremoto na China, não espero justiça para com o caso da Isabela Nardoni. Eu não tenho sentimentos. Começo algo, não termino, e dane-se. Escrevo à lápis pra poder apagar depois. Só penso em meu próprio umbigo e para mim está tudo ótimo dessa forma. Nunca passei fome, frio, sempre tive quem eu quis, tenho poucos amigos, só converso com quem acho interessante - com os que não o são, finjo que converso -, só saio com quem me traz alegria. Dane-se o resto.
Não escrevo nada relacionado diretamente à mim nesse blog, nem prentedia fazê-lo. Se eu posto hoje, posso apagar amanhã. O fato é que eu gosto realmente de ser como sou. Me perguntam como eu consigo, respondo que sou um X-man. Na verdade sou mesmo, diferente de muitos humanos. Sou diferente das menininhas que esperam o príncipe, prefiro ir pra escola à pé que pegar um ônibus, não quero ter filhos nem gostos de festas com som automotivos. "No mais, estou indo embora".
Fechei o portão esmagando a esperança, sem nenhum remorso.
Estava eu, cansada de mais um dia cheio no México (quem sabe sabe), com a cabeça bem cheia de coisas como quantos mols tem em 42 gramas de hidrogênio, já que sábado eu teria uma avaliação de química, a mesma química que me deixa louca - no pior sentido da expressão.
Atravessei a avenida, quase fui atropelada por uma gurizinho de, no máximo, 16 anos, num carro rebaixado e com um funk estrindentemente alto - mas isso nem é tão relevante. Seguindo a ordem cronológica dos fatos, cheguei na porta da minha casa. Tudo escuro. Toquei o interfone, atenderam. "É a Thaís", eu disse. Abriram. Quando coloquei a mão no portão cinza, um tanto gelado, deparei-me com um monstro.
Era uma gigantesca esperança. Aquele inseto dos milhares de zilhões que existem nesse país, nesse planeta, nessa galáxia, e em outras. Nunca fui fã de insetos, costumo esmagá-los antes de pensar nos benefícios que trazem para a humanidade. Fazem um barulho irritante. Então, fiquei parada olhando para "aquilo" tão verde e menor que as esperanças normais. Deduzi que era um bebê-esperança. Dane-se, eles não fazem zoadas agonizantes enquanto morrem, não faria diferença pra minha consciência se eu matasse mais um inseto.
Dessa vez foi diferente. Eu estava com a mão na alça de abrir o portão, o bichinho subiu na minha mão. Comecei a pensar no porquê do nome daquele "trequinho" verde ser esperança. Não achei um bom motivo. Pensei na esperança dos homens - que deram nome ao bicho -, o que acontecera com ela?
Todos os dias quando vou à escola, à pé, passo por um ponto de ônibus. Isso às seis da manhã, em torno disso, e vejo umas pessoas descendo, apressadas. Umas sorriem, tremem de frio. Há também os que fumam, os que seguram a bolsa com força e os que ainda não acordaram - porque não conseguiram ou por opção. Essas pessoas têm alguma esperança na vida? Elas vêm alguma espectativa no dia-a-dia monótono delas? Sempre indo e voltando do trabalho, esgotando suas forças pra sustentar filhos que tiveram mesmo sem querer.
Pensei nos jovenzinhos em suas festas de som automotivo, todos bêbados de pensamentos inúteis, futilidades do mundo em que vivemos. Nas garotas esperando um príncipe, nos garotos esperando a próxima. Esperar é ter esperança? A esperança que jaz no coração dos conformados. A mesma que ferve no coração dos amantes. A esperança de encontrar alguém, de ser feliz, casar e ter trinta filhos. Isso pra depois acordar cinco da manhã, pegar um ônibus e trabalhar pra sustentar uma família que um dia foi tão esperada e que hoje só traz desânimo.
Em quê temos tido esperança? É justo tê-la quando nem valorizamos nossa própria vida? Mesmo se você, que está lendo esse texto, tiver a opnião totalmente contrária à minha, pense um pouco nisso. Pelo menos tente fazê-lo sem que seja necessário um mísero inseto para que você possa sucumbir aos delírios dos seus pensamentos que você deixa guardado desde o dia que descobriu o Orkut e a Globo - eles pensam por você.
A verdade é que eu não tenho esperança, não alimento espectativas, não acredito em Deus, em Destino. Fé pra mim é algo sem base, só creio no que posso ver, tocar, ouvir ou comer. Não tenho pena dos que morreram com o terremoto na China, não espero justiça para com o caso da Isabela Nardoni. Eu não tenho sentimentos. Começo algo, não termino, e dane-se. Escrevo à lápis pra poder apagar depois. Só penso em meu próprio umbigo e para mim está tudo ótimo dessa forma. Nunca passei fome, frio, sempre tive quem eu quis, tenho poucos amigos, só converso com quem acho interessante - com os que não o são, finjo que converso -, só saio com quem me traz alegria. Dane-se o resto.
Não escrevo nada relacionado diretamente à mim nesse blog, nem prentedia fazê-lo. Se eu posto hoje, posso apagar amanhã. O fato é que eu gosto realmente de ser como sou. Me perguntam como eu consigo, respondo que sou um X-man. Na verdade sou mesmo, diferente de muitos humanos. Sou diferente das menininhas que esperam o príncipe, prefiro ir pra escola à pé que pegar um ônibus, não quero ter filhos nem gostos de festas com som automotivos. "No mais, estou indo embora".
Fechei o portão esmagando a esperança, sem nenhum remorso.

"Não tenho pena dos que morreram com o terremoto na China"
devias ter, pois, um sentimento em relação a morte deles: alegria! pois são vermelhos, e, se não, são propiedades de vermelhos... devem, portanto, morrer.
Continua sendo, pois, X-Man, übermensch.
Pra ser sincera, tu és a única pessoa viva da província - além de meu pai - que conheço que pense quase como Um... pois quem como Um pensasse nunca mesmo conheci.
Esperança.... Talvez a esperança esteja em algum lugar, sendo morta pelas mãos de assassinos, não iguais a você, mas sim que resolveram acabar com a alegria dos muitos jovens e adultos por aí. Matadores de esperança, devia ser crime...
A partir de hoje, olho diferente pra aqueles que assim se intitulam, "assassinos". Apesar d que adoro ser um nos momentos mais celebres da vida. Matando esperanças, vidas, ou felicidades...
Muito bom o texto!
Tenho, imprescindivelmente, que ressaltar o fato de que muito me aprecia o modo como dominas as palavras. O modo como encara, sem grandes obstâncias, a sinceridade, e como a traspõe da mente para o "papel".
Elogios à parte (não estou aqui para 'puxar-saco' de ninguém) acredito que fé (palavra que citaras em seu depoimento) e esperança possuem uma relação muito maior.
As pessoas costumam confundir "crença" com "fé". Duas coisas completamente distintas.
A crença é algo que lhe és imbuido desde muito pequeno. Fé é algo que nasce contigo, que habita no âmago de seu ser, que você não pode mostrar ou comprovar, apensa sentir.
Porém, num contexto mais contempoâreno, aquilo pelo qual nutrimos fé acaba realemnte perdendo a razão. E o mesmo acontece à Esperança.
Tudo torna-se muito mecânico.
Você 'espera' por algo, por que lhe foi dito que isto é certo, ou que este algo é bom.
E, como disseras em tua argumentação, as pessoas param de pensar. E, subjetivamente falando, a Esperança morre. Morre por que perde o sentido. E quando as coisas perdem o sentido deixam de existir realmente.
É lúgubre o fato de todos viverem (cada vez mais) uma existência mecânica, calcada em uma 'esperança' retorcida e irracional. Em que não se vive, apenas sobrevive. E a dita 'Esperança' acaba se tornando apenas um artífice gestado pelas necessidades da sociedade como um organismo vivo que está destinado a conformar a mente dos aflitos. Algo que apenas ilude e mantém todos exercendo seu papel ante à sociedade. Por que "um dia" tudo vai melhorar, tudo vai mudar. E se não muda, nos conformamos em pensar que no pós-mortem será tudo melhor, como sempre fantasiamos.
A Esperança de hoje é apenas uma das milhares de máscaras da Ilusão.
Apenas mais uma sombra à parede da caverna, que necessitamos pensar ser real.
Não há esperança se não para onde ir.
Se não se está disposto a sair do sistema ao qual fora ao nascer inserido, e o qual, em geral, não se contesta.
Lembremo-nos que a Esperança é consangüinea de todas as mazelas e flagelos do homem. Assim sendo desde a caixa de Pandora.
Quando não se espera nada, tudo que lhe é concedido é apenas lucro.
Quando se epsera muito, nada lhe é dignado.
Shopenhauer já dizia que os que vivem demasiadamente para o presente são negligentes. Mas os que vivem apenas esperando o futuro são medrosos, e nada obterão de concreto da vida, além de transformar a própria existência em algo tão banal quanto a vida de um inseto...
A CANÇÃO DA ÚLTIMA FÁBRICA não estava no antigo blog
que desgosto! (quem sabe sabe)
'ela procurava um principe,
ele procurava a próxima'
terei que te acompanhar até em casa, para me certificar de que não serás quase atropelada por guris de 16 anos nem matarás pobres esperanças ou, pior ainda (ou seria melhor?) filosofar sobre elas.
adoorei, flor.
;*
Estou profundamente orgulhoso de ti. Texto brilhante. Tem mesmo 14 anos?
Há muito ninguém me surpreende dessa forma.
Andrew parece ser um cara legal. Diabetes não é poético. Eu ficaria com o velho e bom câncer, mas aconselho que tu faça uma pesquisa. Existem muitas patologias interessantes por aí.
Ainda bem que ainda moramos em um país "livre" aqui cada um pode ser o que quiser desde que possa pagar por isso...
Sou igual a você, sério. Me preocupo, na maioria das vezes, só comigo mesmo, não me importo com fatos que acontecem longe de mim, apenas dou importância com coisas ligadas a mim. Odeio insetos e química, e acho que um pouco de esperança é o que nos faz acreditar em algo.
hum... sinto quase as mesmas coisas que vc ... sso inclui o fato de ser acomodado... e também que não sei o que seria o bicho esperança.