Thaís Dourado

Ser humano é bem divertido. Essa "lucidez" que os outros animais não têm, essa "consciência", essa "racionalidade". Ser humano permite sermos donos do mundo - mesmo. Inventar, reinventar, escrever, apagar, lembrar, olvidar etc. Tudo isso é tão divertido e só NÓS fazemos. Pode parecer egoísmo da minha parte, mas ser humano é ser assim.

Apesar da grande vantagem em sermos humanos é estranho pensar que estamos sós nesse universo. É inevitável pensarmos na existência de seres extra-terrestres, seres de outra dimensão, não-seres, energias, mesmo sabendo o quanto escassas e pouco fundamentadas são as supostas "provas" da existência deles. Fato.

Não sei se estou ficando louca, mas às vezes olho pros lados e tudo parece uma GRANDE mentira, uma pegadinha daquelas do Faustão. Hoje você está vivo, amanhã pode não mais acordar e pronto!, acabou. Isso a não ser que tenha inventado seu "deus" e suas teorias de vida após a morte, ressureição, reencarnação. Tá aí a maior desvantagem da raça: mortalidade.

Mas, excluindo o fato inevitável que você irá morrer qualquer dia desses tão banais, existiram e ainda existem gênios capazes de honrar sermos humanos. Gênios da música, gênios da filosofia, gênios das artes plásticas, cênicas, gênios das ciências, gênios da vida, da palavra, do amor. Esses gênios, os quais invejo, sim, admito, e admiro acima de tudo dão uma esperança, uma vontade de não ser humano, ser menos um, ser bom também. É isso que nos faz melhores não melhores que os outros, mas melhores que o mínimo que podemos ser - e muita vezes somos.

Essa variação de ser e estar, essas oscilações de humor e personalidade são realmente excitantes! Você pode escolher ser bom ou ruim, fazer dos outros bons ou ruins. E viva! o livre arbítrio! As possibilidades de agora amar e em alguns minutos odiar, de reinvidicar orgulhos bobos e direitos sérios, de querer e não querer mais, assim mesmo: como uma criança birrenta. Mas bom mesmo é não ter a tal da "consciência", não se importar com o que os outros dizem ou pensam sobre o que somos ou o que queremos e quero mais! Quero continuar irresponsável, bebê birrento, quero continuar "como as outras", fazer o que der na telha, gostar de quem eu quiser, falar com quem eu quiser, não falar, me importar só com quem acho que mereça, continuar assim, "só enquanto eu respirar".

É, talvez iremos mesmo pra outra dimensão, e tomara que lá seja igualzinho aqui na Terra, só que com pessoas mais felizes, menos displicentes, se importando com o bem-estar do outro e estando bem, e com a mesma vontade de potência e genialidade escondida que todos lá traremos à tona, apesar de termos livre possibilidade de fazer tudo isso aqui mesmo. E viva o que seremos! Humanos ou não, mas em suma, GRANDES e BONS! Não opacos, mas escarlates como a estrela mais brilhante, cheios da vida que um dia não aproveitamos mas que outrora em um lugar melhor aproveitaremos arrependidos e com saudade do que não fomos e não fizemos.
6 Responses
  1. Anônimo Says:

    eu concordo...em tudo ;o
    lindo seu texto broto ;D


  2. Djork4ev Says:

    Graças a Deus somos humanos. Saber que você vai morrer é outra desvantagem, ou seria uma vantagem? Afinal de contas,se você sabe que vai morrer é aí que você encontra motivação pra fazer o que você tem de fazer o mais rápido possível. No final das contas, é a morte que faz a vida de um ser humano, ser um ser humano ter graça.

    C'est parfait ton texte mademoiselle!!!
    XD




  3. ana. Says:

    Gosto da mortalidade. Eu não ia querer viver como se fosse o último dia se não houvesse de fato um último dia.

    E viver como se fosse o último dia é só parar de mentir, porque pode ser que seja mesmo o último. Ninguém garante o amanhã. O fato é, gosto da morte. É pela morte que vivo o hoje.


  4. pandica Says:

    A mortalidade nos torna vulneráveis.

    preciso dizer mais alguma coisa? :x