Thaís Dourado
Uma carta selecionada para o Concurso Internacional de Cartas 2008 - Tema: Por que o mundo precisa de mais tolerância?

Goiânia, 1 de abril de 2008
Querida Babsi;
Ultimamente venho pensando muito na condição do mundo, especificamente, sobre a humanidade como um todo. Como tudo está banalizado. Os valores não são mais os mesmo, as pessoas, cada vez mais superficiais, desmerecendo as condições do seu próximo. Quanto preconceito venho presenciando!
Caríssima, essa superficialidade, esse desinteresse, o julgamento errôneo que uns fazem dos outros, tudo isso está conduzindo a humanidade para uma autodestruição. Ao que costumava-se dar valor tornou-se totalmente distorcido, tudo resumiu-se a meros pedaços de papéis azuis, amarelos... Reduziu-se a potes de creme, árvores caídas, o nosso ar, poluído, vozes que não têm dono ecoam artficialmente de dentro de um aparelho eletrônico. Distantes.
As relações entre as pessoas não passam de desinteressados "ois" e "boa tardes". As relações delas como meio onde vivem, não passam de árvores que viram dinheiro, águas limpas que viram imundos esgotos, ar puro que vira fumaça. Morte. "O homem é lobo do homem"*, vejo um mundo preso em sua rotação, os outros planetas só observam, solitários.
Babsi, talvez você pense que quem precise de tolerância seja eu mesma. Talvez você esteja certa. Ou talvez o mundo que precise de um desenvolvimento racional, porque, pra mim, acompanhar essa decadência, essa seqüência anti-horária que seguem os "homo sapiens", que, vê lá, nem são tão sapientes assim, isso, creio eu, é algo tão útil quanto contar os grãos de areia de um deserto, e faz tanto sentido quanto conversar com uma pedra. Escolho, portanto, permanecer como espectadora para ver onde isso vai parar e dizer, no final, aquele irritante "eu avisei".
É por isso, minha amiga, que, então, vejo que todos nós temos que ter tolerância conosco mesmos, tolerância quanto a nossa limitadíssima condição de seres humanos. Mas nem por isso devemos deixar que tudo continue o caos que está. Devemos revolucionar nossas mentes, Revolucionemo-nos! Afinal, nós somos o mundo!

Abraços inquietantes,
Thaís Dourado
3 Responses
  1. Djork4ev Says:

    Céus... me senti mal agora... "Desinteressados ois e boa tarde"... Faço isso às vezes com tantas pessoas... Definitivamente é necessário repensarmos o que temos feito ultimamente..


  2. Bruna Says:

    teve o devido merecimento.


  3. Po, guria...

    tu escreve muito bem.
    Assim,
    muito bem mesmo.
    Gostei muito da carta.

    Não esqueci de ti...

    beijoo